2010 - Folha de São Paulo
Rosana Gomes, da Treina: a empresa recebe anualmente 15 mil alunos, em média, no modelo de cursos e-learning
Entre as novas tendências do setor estão o m-learning, que usa tablets, celulares e outros dispositivos móveis como plataformas de ensino, e versões atualizadas de cursos tradicionalmente presenciais, como violão e guitarra. Para a professora da Fipecafi, o uso dos cursos a distância pode ajudar os empresários do setor de educação a otimizar recursos e alcançar mercados geograficamente distantes. "Mas os altos custos de implantação e a resistência do uso do método pelos professores podem travar a expansão do modelo", alerta.
A Treina e-learning, da área de educação financeira, já recebeu mais de 90 mil inscrições para cursos on-line desde 2001. "Temos, em média, 15 mil alunos no modelo de e-learning, ao ano", diz a sócia da escola, Rosana Gomes. A Treina oferece 20 cursos pela internet, além de treinamentos presenciais.
Para 2011, a meta de Rosana é aumentar em até 30% o faturamento em relação ao ano passado. "Vamos diversificar os segmentos de mercado atendidos, criar novos treinamentos e fazer parcerias com outras escolas", diz. A empresária acredita que o e-learning se destaca do ensino tradicional porque pode atingir públicos maiores, sem impedimentos geográficos para as empresas nem custos ligados aos treinamentos presenciais, como transporte e hospedagem.
Segundo Carlos Valente, da área de tecnologia educacional da consultoria ABC Branding, é possível criar qualquer tipo de curso no formato on-line. Somente exames finais e experimentos que precisam de acompanhamento de especialistas podem ser realizados 'ao vivo'. Valente é professor de uma universidade em São Paulo, mas também ministra aulas a distância para uma instituição do Espírito Santo. "Se os estudantes não conhecerem essa realidade nas escolas, inevitavelmente terão experiências em empresas de todos os portes que já utilizam o recurso para treinamento e divulgação de novos produtos", afirma.
A escola de inglês EF Englishtown, com 120 mil alunos no Brasil, é totalmente on-line. "Não há provas presenciais, mas os alunos, para passarem de um módulo para outro, devem acertar mais de 70% das atividades", explica Pérsio Miranda De Luca, gerente geral da empresa, presente em outros 50 países. "Os estudantes fazem aulas em grupo ou particulares com professores nativos e também realizam exames de fluência verbal", diz. Em 2010, a escola cresceu 60% em número de matrículas, em relação ao ano passado.
Segundo Julio De Angeli, vice-presidente da EF Englishtown para a Europa e Américas, o grupo lançou no ano passado um novo modelo de curso pela internet, que promete aumentar a velocidade do aprendizado de inglês em 50%, em relação aos métodos tradicionais.
O professor e músico profissional, Tito Gonzáles, também aderiu ao e-learning para dar aulas de guitarra flamenca. Com 15 alunos matriculados, o primeiro curso na modalidade será lançado em março. "O maior desafio a ser vencido é a desconfiança da eficácia dos cursos pelo computador", diz Gonzáles, que investiu R$ 65 mil na elaboração da metodologia de ensino, desenvolvimento e implantação da plataforma, além de promoção e pesquisas. "Isso já ocorreu no mercado de e-commerce. É só uma questão de tempo para as pessoas se habituarem", afirma.
Segundo o músico, antes de adotar uma solução de e-learning, é necessário verificar se há demanda para o curso e capacidade de investimento durante um ou dois anos. "O retorno do capital investido não é imediato." No curso de guitarra flamenca criado pelo músico, o aluno pode enviar arquivos de áudio e vídeo para a análise do professor e interagir com outros estudantes em fóruns de discussão. O primeiro módulo tem período de estudo estimado em 90 dias.
Em seguida à onda das escolas de línguas, na década de 1980, vieram as escolas de informática na década seguinte e a grande proliferação de cursos superiores ao longo dos anos 2000, segundo explica Marcos Hashimoto, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper. "Agora, os cursos a distância estão na moda, embora tenham começado no começo dos anos 1990. O 'boom' deve-se à popularização da banda larga e ações de inclusão digital em diversos pontos do país", afirma.
De olho no crescimento da oferta de aulas pela internet, a empresa paulista Aztek Tecnologia da Informação desenvolveu uma solução de mobile learning ou m-learning que veicula pequenos cursos por meio de smartphones e tablets de última geração. Além das aulas, foram criadas aplicações de testes de múltipla escolha com correção automática e já está disponível para aparelhos iPhone. Segundo Eduardo Teruiya, sócio-diretor da Aztek, até o final de 2011, estarão prontas as versões para os sistemas operacionais Android, Blackberry e Symbian.
O plano da empresa é oferecer conteúdo de curta duração e direcionado às necessidades de cada segmento profissional, 24 horas por dia. "Funcionários que trabalham em campo podem realizar pequenos treinamentos na rua, sem ter que se deslocar para o escritório", explica. O software já está em fase de implantação em dois clientes e a meta da Aztek em 2011 é faturar R$ 500 mil com a venda do produto.